Poesia de Andaime - Denúncia
DENÚNCIA
Se com rudes gestos me humilhas
Ainda que só eu os possa ver
Escarneces oprimes e
insultas
Estás a roubar-me a liberdade
Para além de todo o meu sofrer.
Se me fustigas com palavras duras
Sussurradas baixinho ao meu ouvido
Ainda que só eu as possa ouvir
Estás a transformar-me num farrapo
Impedindo meu sonho de florir.
Se me forças a não abrir a boca
Se não posso falar e ser ouvida
Com silêncio respeito e simpatia
Se minha voz é sempre interrompida
E te ris do que digo com escarnio e
ironia
Se levantas para mim a tua mão
Se me empurras me bates e magoas
Porque pensas que não tenho
Força bruta e animal igual à tua
Se intentas me expulsar ou até me pões na rua.
Se me ultrajas, reprimes e maltratas
E persegues todos os meus passos
Se nem posso estender o meu olhar
Podes até dizer que me queres bem
Que nunca irei entender o teu pensar.
Se com assédio me obrigas a vergar-me
À tua vontade, porque mandas
Certo que ante ti, baixo a cabeça
É preciso tu seres denunciado
Para que toda a sociedade te conheça
Urge que todas as vozes se levantem
Em denúncia de atitudes tão ignóbeis
De pensares e modos tão perversos.
É preciso que os poetas não se calem
E denunciem tais atos em seus versos.
Urge que os mais débeis sejam protegidos
Por quem usa sua voz, discernimento
Por quem combate a favor da liberdade
E não baixa os braços um momento.
Se não aprendeste a tratar teu semelhante
Como gostarias que o fizessem contigo
Estás em tempo de arrepiar caminho
Pensa e muda, pois, se o não fizeres
Só mereces a denúncia e o castigo.
Luta com os que contigo se parecem
Talvez esses te deem a resposta que mereces.
Não enfrentes os fracos ou os débeis
Vê antes se consegues descobrir
O sofrer de quem, tu reprimiste
Talvez então consigas intuir
Quão errado foi o caminho que seguiste.
Agora Aveiro – Poesia de Andaime
Aida Viegas 21/05/ 2021
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