ABSURDO _ Como Está tu clima?

 

                                                  ABSURDO



ABSURDO

 

Como estás tu, clima?

Perdido pelas ruas da amargura

Curvado ante a insensatez humana

A indiferença e a incúria

Exausto de tanto proclamar

O iminente e infausto desfecho

Que a passos gigantes se está a aproximar.

 

Manifestas-te, mas, em vão

Clamas no deserto.

O mundo ensurdeceu

Cegou, perdeu o siso

Já nem reage ao perigo.

Ontem era tarde, hoje passa veloz

Amanhã nem ouvirá a tua voz.

Em que pensa o homem?

No dinheiro, no prazer, no poderio?

Pobre mortal que tão depressa quer viver

E deixa passar a vida sem usufruir

Do melhor que a vida tem

O amor.

Ou isso já não tem valor

Já foi esquecido

Por forças que lhe toldam a razão.

 

Rema contra a maré

Sabendo que vai naufragar

Sem se importar.

Troca o certo pelo incerto

Ou já não tem certeza alguma?

E a esperança se esfuma.

 

Incauto como um louco

Nada lhe basta, todo o prazer é pouco

A famigerada liberdade

Sua essência já não faz sentido?

Pouco a pouco o mundo está perdido

És tu clima quem o vai derrubar.

Por seu imperativo

No absurdo está seu inimigo.

                    

Aida Viegas     19/4/2022 

Comentários

Mensagens populares deste blogue