Alvoroço



Alvoroço

Anda a terra inteira alvoroçada
Nesta era de progresso e confusão.
Têm uns tudo, outros não têm nada.
Sentem os ricos dó ou compaixão?

Morrem de fome homens aos milhares
Enquanto alguns estragam a comida
Recusando poluir seus olhares
Em quem passeia morto pela vida.

Lamentam, nada fazem de concreto.
Insensíveis, passivos eles sabem
Que os que não têm pão nem têm tecto,

Vivem mortos de fome, até que acabem
Qual desperdício, destroço ou objecto
Na lixeira do mundo onde não cabem.

                             Aida Viegas

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