A VIDA
E O MALMEQUER
Bem me quer, mal me quer.
Muito. Pouco. Nada.
Corre o tempo, como louco,
Está a vida, desfolhada.
Alegram-se os corações,
Vive-se só de ilusões,
Faz-se aquilo que se quer,
Bem me quer.
Atropelos aos montões,
Começam as provações,
P’ró homem, ou prá mulher.
Mal me quer.
Está no cimo da picada,
Agora não falta nada,
Melhorar é seu intuito,
Muito.
Vai em estrada esburacada,
Cedo cai numa emboscada,
Estrebucha como louco,
Pouco.
Engata numa descida
E, cai de novo esta vida,
Miserável, desgraçada,
Nada.
Quer-me bem
E, quer-me mal,
Muito, pouco,
Ou mesmo nada,
Esta vida, é afinal,
Uma grande trapalhada,
E, ninguém percebe nada.
AIDA VIEGAS
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