TERNURA NA AREIA

 


Ternura na areia

Quem andava a passear

Juntinho à beira-mar

Ao longe ao ver-nos ali

Regalados e felizes

Paravam, iam olhando

Junto a nós lá se afastavam

Mas voltavam-se mirando

A nossa satisfação.

 

Assim estávamos uma tarde

E um homem forte e robusto

Veio até nós cortesmente

Pra entabular conversa

Disse estar emocionado

Há tempo a contemplar-nos

Acrescentou que seus pais

Lhe estávamos a lembrar

E não tinha resistido

A uma foto nos tirar

Tinha-o feito só de costas

E vinha-se desculpar

E ao mesmo tempo pedir

Para a foto publicar.

 

Disse-nos que era fotógrafo

Por amor e por paixão.

Trocámos muita conversa

Falámos de sentimentos

De afetos, de atenção.

 

Revelámos que os autores

Desse conforto e desvelo

Eram nosso filho e nora

Ele acrescentou que ao vê-lo

Nem se queria ir embora.

Nem queria sair dali

E eu de repente até vi

Os seus olhos marejados

Lamentando os seus pais

Em casa terem ficado

Por razões eventuais

Ausentes e resguardados. 

                                Aida Viegas

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