CHORAM AS ÁRVORES EM AVEIRO
CHORAM AS ÁRVORES
Choram as árvores, triste sina a sua
Queriam dar sombra e enfeitar a rua
Queriam cumprir a sua missão
Purificar o ar, cá de Malhapão.
Choram pelos homens, que sabem tão bem
Que ao matar as árvores, se matam também.
Choram pela vida, que ao cortar das árvores
Vê seu bem-estar e saúde perdida.
Não há quem as pode, as regue ou adube
Mas, ditam ufanos, seu triste derrube.
Ninguém ouve nem vê, seu choro aflito
Mas, elas baixinho, soltam este grito:
- Congreguem vontades com as Autarquias
Vejam se melhoram a iluminação,
Restaurem as fontes, façam melhorias
Qu’a sede d’Adama nasça em Malhapão.
Ergam moradias, reparem caminhos
Não cortem as árvores, deixem-nas estar
É bom para as aves fazerem seus ninhos
É bom para todos no nosso lugar.
Façam novo templo pr’a louvar a Deus
Restaurem o velho, deixem-no ficar
É voz que os antigos ergueram aos Céus.
Arranjem jardins por todo o lugar.
Nós temos um largo, que não há igual
Empedrem-no e ponham-lhe iluminação
Arranjem terreno, p’ro Centro Social
Aqui bem no meio deste Malhapão.
Flores e uns bancos, não ficam lá mal
No Largo das Relvas, ergam um pedestal
Bem iluminado, feito com amor
E ponham no cimo a Mãe do Senhor.
Não cortem as árvores, não façam mais guerra
Vamos dar as mãos pela nossa terra.
Todos ao trabalho, com muita alegria
Pois todos unidos somos maioria.
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