Tolhidos de medo

 




Tolhidos de medo

Vivemos tolhidos de medo

de rosto fechado e escondido

de olhar perdido na bruma

sem sinal dum porto de abrigo.

Vogamos na crista das ondas

esperando que o vento adormeça

que a tempestade se acalme

bonança por fim prevaleça

a noite tenebrosa se quebre

se esbatam as nuvens sombrias

e o perigo se afaste medroso

na esperança de plenos dias.

Vivemos na crista das ondas

à espera que o vento adormeça

ansiando que a tempestade acalme

e a bonança por fim prevaleça.

Vivemos tolhidos de medo

de rosto fechado e escondido

de olhar perdido na bruma

sem ver um caminho seguro

sem sinal de um porto de abrigo.

E depois de muito penar

eis que a luz de um farol se vislumbra

e já o Sol no horizonte se ergue

o perigo se afasta medroso

o coração se acalma e se alegra

e a esperança no mundo renasce.

 

   Aida Viegas

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