CANTAREI

 

CANTAREI

Fizeram da tristeza sua graça

Os que vagueando, noite escura,

De amargo fel, beberam doce taça

Viajando pelas raias da loucura.

 

Ergueram estandarte da desgraça,

Da solidão, da dor, da desventura.

Passaram pela vida, como passa

Quem não recebe ou dá qualquer ternura.

 

Eu, porém, que amo o sol nascente

Trago no peito a luz da alvorada,

Procuro a paz, em Deus sou crente;

 

Eu, não quero, nem vou ficar calada.

A alegria, o amor, em tom crescente

Hei-de cantar, até ficar cansada.

                    Aida Viegas

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