Desalento

 

Porque morre o brilho

Num olhar que espelha o céu?

Quando isto virdes

Grande mal aconteceu.

Porque cessa o fogo

Num olhar que alonga o mar?

Quando isto virdes

Algo mau está para chegar...

 

O que ofusca o brilho

Dum olhar que se passeia

Pelos prados verdes

Entre os cantos da sereia?

Foi algo de ruim

Muito ruim que aconteceu;

Foi grande a tormenta

Que esse olhar escureceu...

Mas lá bem no fundo

Reparai que não morreu

Trémula, lampeja,

Qual estrelinha no céu

Num raio de esperança

A bem pequenina chama

Que de novo cresce

E o terno olhar inflama.

 
                                            Aida Viegas (in LAMPEJOS)
 

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