Egoísmo
É tão grande neste mundo o
egoísmo
Nesta era de vertigem, de
fartura!
Que se está elegendo o
comodismo
Como supremo bem, extrema
ventura.
Os outros... Ai os outros, quem
são eles
Para virem perturbar o meu
remanso?
Vou agora deixar meus
interesses
Para pensar nos outros?
Não sou tanso.
Enquanto eu existir não admito
Que ninguém mais exista,
Senão eu; está dito.
Eu é que mando e posso
Eu é que quero e grito.
Os outros que se lixem.
Bem me importo
Que o velho esteja vivo
Ou esteja morto!
Não me chateiem
Que eu expludo.
Esta é a minha lei:
Para mim só chega...Tudo.
Repartir?! O que é isso?
Ceder? Mas com que fim?
S' eu tenho a razão
E tenho a força...
Os outros é que têm
De ceder p' ra mim.
Estão doentes? Que me
importa...
Têm frio? Que se danem.
Estão sozinhos? Que se abanem!
Não quero nem ouvir
Falar nessa cambada.
Só me importo comigo
E com mais nada.
Aida Viegas (in LAMPEJOS)
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