MELANCOLIA
DO
ENTARDECER
Quando o dia se aproxima do seu términus,
E, o sol desce, além no horizonte,
Quando a lua sobe, a iluminar a noite,
Com a sua luz ténue, qual véu diáfano,
E, aparece ao longe a primeira estrela,
Eu gosto da lua, mas nem quero vê-la.
Quando as aves regressam aos seus ninhos,
E os animais procuram suas tocas,
Nas casas começam a acender-se as luzes,
Nos campos findam os trabalhos,
Há barcos que partem, p´ra faina do mar,
E, os rebanhos voltam por atalhos...
Quando o firmamento, se ruboriza em fogo,
Com o mergulho do sol no seu poente,
Para dar lugar ao negro mais crescente,
Que traz consigo a noite negra e fria,
Em minha alma fenece a alegria
E meu espírito se enche de tristeza.
Sinto-me só, perdida, e tão pequena,
Cai sobre mim um manto de pobreza.
Eu tenho tal sensação de pena!
Que parece, que a qualquer momento,
Se me finda a vida, se me gela o sangue,
Se me apaga a vista, me morre o pensamento.
Quando tudo parece que vai terminar,
E já espreita a lua que a noite alumia,
Eu pergunto sempre com meu triste olhar:
Ò Senhor?! Oh! Porquê? Porque acaba o dia?
Aida Viegas
(in Pensar Alto )
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