Rios de Fogo e Madrugadas de Luz
Introito
Sendo a
dualidade parte intrínseca de todo o ser humano,
encontrando-se o bem e o mal no seu âmago e à sua volta e permanentemente se contrapondo
e defrontando, é exigido de cada um, uma vontade forte, uma vigilância permanente para que o bem
prevaleça.
Caminhamos por entre Rios de Fogo e Madrugadas de Luz
numa alternância nem sempre constante e nunca totalmente controlável por nós.
É
anseio supremo seguir ileso, usufruir os
benefícios do fogo e da luz, gozar o seu calor e
brilho, evitando no entanto
ser molestado. Urge obstar a que
o fogo passe de bênção a maldição queimando, quando a sua função deverá ser
aquecer e confortar com seu calor.
Quanto à luz, permitamos-lhe que rompa as trevas, ilumine e guie os nossos
passos, nunca que nos ofusque ou encandeie, o que poderá ser-nos fatal.
Tal como o fogo, a luz, a água, e tantos outros
elementos da natureza, também o amor, que à partida é bem supremo, poderá
deparar-se-nos como padecimento, bálsamo ou ferro em brasa, nem sempre sob o
controlo do peito que o alberga.
A arte de viver assenta na nossa livre escolha, que
indubitavelmente nos coloca no fio da
navalha.
O poeta
salta sem rede, porque o sonho o suporta.
O
equilíbrio é perfeito quando o coração do poeta que escreve bate em uníssono com
o coração do poeta que lê.
Aida Viegas
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